quinta-feira, 29 de julho de 2010

as malhas ululantes

Ela, que se olhava todos os dias ao espelho, sabia, pois os espelhos não mentem tanto como o coração. Assim era, a malha da sua vida estava às avessas. O tempo foi erguendo as mais altas torres e esta tortura era bem real. O desejo contorcia os gestos das mãos. A sede escravizava a boca. As palavras saiam como esmolas secas. Esquecera-se de contar com o impossível.

7 comentários:

eu disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
symon disse...

gosto. do que dizes e do modo como o fazes...

uma mágica escolha de caracteres.

beijo *

Pedro Branco disse...

Atira-me os meus olhos outra vez
Mostra-me as rugas que o tempo me devolveu
És reflexo nas memórias de um vento meu
És pedaço de sangue perdido num amor que ainda não se fez
Grita-me as malhas desta corrente que grita
Espero-te n inquietação dos labirintos de mim
E sei que cairei no teu corpo por fim
No dia em que se abrir a porta interdita...

Apenas eu disse...

Ela, sabia que o impossível existia... e o espelho não mente mas não lhe deixa ver o avesso...

mas tudo passa...

piedadevieira disse...

Tenho me sentido assim, muitas vezes. O espelho não consegue mostrar tudo, ou não quero ver, o que é pior. Só consigo o possível.
Verdades devem ser ditas por mais ululantes que sejam.
Beijos

André disse...

...et l'impossible devint possible car le coeur, d'un seul élan, propulsa des milliards de petites bulles de lumière et de joie ce qui rendit l'impossible possible...

Bonne Journée et tout plein de douceur en celle-ci !

André :)

Vieira Calado disse...

Pois... pois...

Há coisas que são impossíveis...

Bjs