sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bailarina

Sou bailarina, que em bicos de pés esvoaço, feito borboleta que encontra a luz. Entrelaço o meu cabelo com o vento. Rodopio pelo chão como um pião na tua mão. Rodopio com a força de um grão de pó ou poeira, que segue a brisa e a brancura do tempo. Os meus braços abertos abraçam todos os espaços e a minha voz alcança os mares mais distantes. Sou perfeita nos meus movimentos. Sou bailarina e danço com a Vida.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Palavras em remoinho

Às vezes o pensamento voa para longe, para tão longe. Voa leve ao teu encontro... Voa por caminhos fieis à minha essência e mergulha em risos e riachos, em beijos e abraços. Contorna curvas e medos, sombras e segredos. Voa abrindo todas as portas, com a coragem e determinação de alguém que anseia por te encontrar. Porém, voa com medo de nunca chegar... ou com medo de chegar muito perto...
E às vezes fechamos os nossos pensamentos e demónios a sete chaves, e as sete chaves guardamos na mão. Fechamos os olhos para a Vida e fechamos a porta do coração. Fechamos as mãos que vão dadas, pelos caminhos, em solidão. Fechamos tudo e todos no nosso mundo de ilusão...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Si longtemps...

Les mots d'amour que tu m'as dit je les ai jeté au vent, car mon coeur n'a pas le pouvoir de les gardés. Et toutes les memoires de nous deux, touts les soupires, les caresses et même les promesses, je les ai laissé partir avec le temps, car dans mon coeur il n'habite que la solitude. Et donc je suis seule, perdue dans les rues de la cité. Mais, je ne regrette rien de ce que j'ai fait ou dit. Je ne regrette pas les instants qu'on a passé prés du ciel. Et pourtant je me demande...
Si tu voulait fuir, pourquoi est-tu resté si longtemps?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

São de silêncio as palavras que te digo

São os meus suspiros que te abraçam
São de silêncio as palavras que te digo
São de calor os beijos que te ofereço
E é

Em cada dia
A cada instante

Em que eu transbordo sobre ti
Que mais me reconheço
Entendo
Aceito...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imperadores do Amor

"Ainda que o tempo desfaça o que sentimos um pelo outro... Ainda que este instante, um dia, seja recordado apenas com ternura. Ainda assim, eu irei lembrar-me que foste tu que me deste o mundo... E, hoje, aqui, juntos, fomos Imperadores do Amor."


O Sol espreita à janela. As roupas continuam perdidas pelo chão. Os lençóis escondem dois corpos e os nossos braços continuam entrelaçados. O nosso respirar já não é ofegante, mas distante, cansado. E o Amanhã acabou de chegar à nossa janela. Abro os olhos lentamente. Olho para o relógio da cabeceira. Não estou pronta para acolher o novo dia, mas, assim tem de ser. Ele continua a dormir, perdido nos meus braços de mulher. Perdido por mim. Tem a cabeça repousada sobre o meu peito e descansa. Ele continua a dormir. Lentamente, levanto-me, sem o perturbar. Levanto-me e olho-me ao espelho. Nua. Nua para a vida. Nua, mas decidida. Sei que não sou a mesma de ontem à noite. Sei que estou consciente de tudo o que fiz e senti. Sei que estou livre. Recolho, peça a peça, a minha roupa espalhada pelo chão. Sento-me no pequeno sofá encostado num canto do quarto. Respiro fundo e começo a vestir-me, sem fazer barulho, para não o acordar. Levanto-me, procuro a minha bolsa, tiro um papel e uma caneta e escrevo. Coloco o bilhete na mesinha da sua cabeceira e decido ir-me embora. Caminho para a porta e agarro o puxador com força, com tanta força. Respiro fundo,respiro coragem. Rodo o puxador, abro a porta, saio e fecho a porta atrás de mim. Fecho a porta que tanto anseio por abrir de par a par, a porta do meu coração.

Ele continua a dormir. O Sol espreitou pela janela e já entrou no quarto sem pedir licença. Ele acorda. Sabe que está sozinho, pois ouviu a porta a fechar-se quando ela se foi embora. Lê o bilhete e sorri. Levanta-se e vai tomar banho. Depois de estar algum tempo debaixo da água corrente, pensa nela. E pergunta-se se será sempre assim... Enxuga-se na toalha branca de hotel. Apercebe-se que terá de vestir a roupa do dia anterior e faz uma careta. Apanha a sua camisa branca do chão e começa a vestir-se. Quando termina, abre a porta e sai.

Depois do almoço, dona Albertina, camareira há dez anos no hotel, entra no quarto 311 para fazer o seu trabalho. Olha ao seu redor e pensa que vai ser um quarto fácil de arrumar. Começa por trocar os lençóis e, no meio da brancura do tecido, surge um pedaço de papel. Curiosa como é, lê o rascunho. Quando acaba, senta-se na cama e chora. Pois é, dona Albertina, o que tem de curiosidade, também tem de romantismo!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Da minha janela para a tua

Da minha janela para a tua corre um rio que nos separa. As suas águas são profundas e correm permanentemente à velocidade do tempo que nos rodeia. As suas águas são tão escuras quanto os nossos corações. É impossível encontrar-mo-nos no meio de tanta escuridão e, apenas com a chegada do calor, tempo em que o rio apazigua as suas águas ferozes, só aí nos pertencemos.

Da minha janela para a tua mil sonhos e pensamentos navegam pelo espaço. Pedaços do meu coração que lutam e insistem em chegar à tua cabeceira.

Da minha janela para a tua há um mundo a rodopiar, repleto de cores e sinfonias, repleto de perfumes e essências de tudo aquilo que é teu e não te pertence.

Da minha janela para a tua há um rio a transbordar...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A corrupção do tempo

O tempo. O tempo corrompe a nossa vida, feito brisa matinal que se desfaz perante os nossos olhos. Será que o tempo te corrompeu a ti... Será que te esqueces-te de mim, de nós, de tudo o que fizemos, sentimos e vivemos? A ti que disseste que serias eterno... A ti que fizeste promessas de amor... A ti que, afinal, és tão mortal quanto eu!
O tempo. O tempo tem destas coisas... vai passando, dia após dia, meses e anos, que são como oceanos intemporais e, no entanto, tão finitos...
O tempo.O tempo é tão perturbador... Passarei a minha vida pensando em ti; por onde andas, que fazes, com quem estás... incógnitas que me atormentam... respostas que teimam em não aparecer... Como um barco vazio... é assim que me sinto... leve... leve ... num temporal...