terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sorriu

Saiu de casa apressada. a chuva roubou-lhe o penteado. o relógio ficou esquecido. a agenda mais demorada. saiu de casa apressada e arrastava o sonho consigo. pelo caminho, entre as estações, respirava a pausa do tempo perdido. saiu de casa apressada e levava o telemóvel consigo. este vibrou ao som da escrita "bom dia. quando te deitas destróis todo o ordenamento dos lençóis e provocas o caos na nossa cama." Ela sem pressa sorriu.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Manhã Magenta

Antes que eu pudesse dizer o que quer que fosse, tu roubavas-me todos os pensamentos e as minhas palavras saíam serpenteadas da tua boca. Nem sempre foi assim, houve um tempo em que o mistério rondava os lençóis da nossa cama e a vida poisava lentamente à nossa cabeceira. Hoje, tudo está às avessas, o veneno corrompeu o tempo e nada mais há para lembrar. O encanto escondeu-se, a volúpia magenta ofuscou o brilho dos sonhos e só podemos suplicar por uma breve manhã ao acordar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

no fundo... no fundo...

hoje pesas-me e levas-me para o fundo de ti.
sei lá eu porque é assim.
no fundo... no fundo...
gosto tanto de ti.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

à fina força


Quase consegui adormecer. Descobri à fina força que a diferença entre estares presente ou ausente existe apenas em mim. Os poemas de Caeiro apaziguaram-me. Vou sair. A tarde começa a escurecer e é quando mais gosto dela. Quiçá o mais incrível aconteça! Afinal, a vida acontece todos os dias da nossa vida...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

dar de mim


nunca me faltará para dar de mim. as minhas mãos estarão sempre cheias para ti. dos meus cabelos flutuarão poemas e pedras feito pequenos sóis pirilampos. dos meus lábios todos os silêncios te esperarão, dormentes, em formigueiro. nas minhas pernas sempre existirão passos de dança ou simplesmente sombras firmes e sóbrias, laços para te aconchegar. no meu peito sempre encontrarás os espinhos que deixáste para trás sem consentimento meu. nunca me faltará que te dar...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

as malhas ululantes

Ela, que se olhava todos os dias ao espelho, sabia, pois os espelhos não mentem tanto como o coração. Assim era, a malha da sua vida estava às avessas. O tempo foi erguendo as mais altas torres e esta tortura era bem real. O desejo contorcia os gestos das mãos. A sede escravizava a boca. As palavras saiam como esmolas secas. Esquecera-se de contar com o impossível.